sábado, 17 de fevereiro de 2018

Azedo, Matias José Dias


n: 24 de Fevereiro de 1758 em Lisboa (Portugal)
m: 11 de Fevereiro de 1821 em Lisboa (Portugal)


Filho do Dr. Caetano Dias Azedo, natural do Brasil, assentou praça em 1780 sendo promovido a oficial em 1782. Foi escolhido para professor da Academia Militar que foi criada em 1789, e como todos os professores da Academia viu a progressão na carreira muito facilitada. Em 1800 foi nomeado governador de Campo Maior.

Durante a Guerra de 1801, defendeu a praça durante 10 dias do cerco muito incompetentemente realizado pelo exército espanhol. Como dirá o seu camarada de arma, o na altura capitão Neves Costa, fez o que lhe competia, mas nada mais. Promovido a Coronel, em consideração ao «merecimento, inteligência e distinto valor com que se honrou no governo e defesa da Praça», e logo a seguir a Brigadeiro é nomeado em Outubro chefe da Brigada de Engenheiros da Estremadura. Em 1809, tendo reparado as fortificações de Valença, esteve também na direcção da defesa do rio Minho, que impediu a travessia do rio pelo exército de Soult.

Em Dezembro de 1810 foi escolhido para dirigir o Corpo de Engenheiros, tendo sido também o seu primeiro comandante, quando se criou a arma de Engenharia, nomeação para que terá contribuído os projectos que tinha realizado sobre o Regulamento do Corpo.

Em 1820 fez parte da Junta Provisional Suprema do Reino, saída do compromisso entre as forças que tinham realizado o pronunciamento de Agosto no Porto, e o governo provisório saído do pronunciamento de Lisboa, de 15 de Setembro.

Morreu pouco tempo depois, tendo sido nomeado Inspector das Fronteiras 15 dias antes da sua morte, cargo que por isso nunca exerceu. 

Notícia retirada daqui

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Álvaro de Castro



Nasceu na Guarda em 9 de Novembro de 1878; morreu em Coimbra a 29 de Junho de 1928. Filho do Dr. José de Castro e de Maria Benedita de Castro Pignatelli, acabou o curso de oficial de infantaria em 1901  o curso de Direito em 1908, acabando o seu terceiro curso, o Colonial, em 1911.

Republicano desde cedo, colaborou na Revista Nova e na Arte e Vida, participando activamente nas conspirações de Coimbra de 1908 e 1910.  Deputado na Assembleia Constituinte de 1911, fez parte do grupo denominado «Jovens Turcos», sendo ministro da Justiça no governo de Afonso Costa, em Janeiro de 1913 e ministro das Finanças no governo de Azevedo Coutinho, em Dezembro de 1914.

Foi um dos chefes que liderou a Revolução de 14 de Maio de 1915 que,  tendo provocado um banho de sangue em Lisboa, conseguiu derrubar o governo de Pimenta de Castro. Nomeado, como todos os outros dirigentes revolucionários, para postos chaves que permitissem levar Portugal à participação activa na guerra, foi nomeado Governador Geral de Moçambique nesse mesmo ano. Assumiu o comando das forças expedicionárias, em Abril de 1917, após a demissão do general Ferreira Gil, em 24 de Dezembro de 1916.

Demitiu-se do seu posto devido a tomada do poder, em Lisboa, de Sidónio Pais, tendo sido muito activo na Revolta de Santarém, de Janeiro de 1919, desencadeada contra o regime Sidonista. Fundou o seu próprio partido, o Partido Republicano de Reconstituição Nacional - o «Reconstituinte» -, cisão do Partido Democrático, tendo presidido a um governo que durou 10 dias, de 20 a 30 de Novembro de 1920 e de novo a um que durou mais de 6 meses, de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924. 

Com a Revolução do 28 de Maio de 1926 foi preso e internado em Elvas, donde se conseguiu evadir exilando-se em Paris. Tendo adoecido gravemente, pediu permissão para regressar ao país, tendo já chegado a Coimbra moribundo, vindo a  morrer poucos dias depois.



Fonte: 
Enciclopédia Portuguesa e Brasileira de Cultura, vol. III, pág. 229.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Biografia de Dom Luís de Meneses, 3ºconde da Ericeira

General na Guerra da Restauração, autor da História de Portugal Restaurado e introdutor das manufacturas em Portugal. 

Nasceu em Lisboa em 22 de Julho de 1632; 
suicidou-se em 26 de Maio de 1690.

Irmão do 2.º conde da Ericeira, com a Restauração entrou ao serviço do Príncipe D. Teodósio, o filho mais velho de D. João IV. Em 1650 começou a sua carreira militar sob o comando de D. João da Costa, 1.º conde de Soure em 1652, nomeado nesse ano para o comando do exército do Alentejo. 

Serviu no Alentejo até ao fim da guerra, participando nas batalhas das Linhas de Elvas, Ameixial e Montes Claros, entre outras, com o posto de general da Artilharia. Com o fim da guerra, foi nomeado governador das armas de Trás-os-Montes, em 1673. Em 1675 regressou a Lisboa sendo escolhido para deputado da Junta dos Três Estados, o conselho régio que administrava o exército. Na mesma altura, foi também nomeado Vedor da Fazenda.

Nesses lugares, apoiou as ideias mercantilistas introduzidas por Duarte Ribeiro de Macedo e desenvolveu uma política de apoio às manufacturas, tentando estancar a importação tanto de produtos de luxo como de primeira necessidade, tentando obviar assim a diminuição das exportações. Assim, a política manufactureira tinha como objectivo apoiar a produção de produtos de substituição das importações, sendo apoiadas por medidas legislativas anti-sumptuárias e de obrigação de utilização de panos nacionais, como foi o caso da pragmática de 1677. Foram assim fundadas as manufacturas de tecidos do Fundão, Covilhã e Portalegre. Apoiou também a produção de seda, com a plantação de amoreiras e apoio à produção dos bichos-da-seda. 

Escreveu a História de Portugal Restaurado, onde defendeu, na Introdução, a legitimidade da nova dinastia de Bragança, devido a que a infanta D. Catarina, filha do infante D. Duarte e neta de D. Manuel I, duquesa de Bragança pelo casamento, tinha sido ilegalmente afastada da sucessão por Filipe II de Espanha.

Apoiou claramente D. Pedro II e a aristocracia na crise com D. Afonso VI.

Suicidou-se atirando-se de uma janela do seu palácio em Lisboa.

Fonte:
Joel Serrão (dir.), Dicionário de História de Portugal, vol. ..., págs. 26-28

Informação retirada daqui

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Vitoriano José César

Oficial do exército e historiador militar  Nasceu no Cartaxo,  em 18 de Janeiro de 1860; morreu em Lisboa em 3 de Janeiro de 1939. General com o curso de Estado-Maior, assentou praça em Agosto de 1878, sendo promovido a alferes efectivo em Janeiro de 1888. Tendo chegado ao posto de coronel em 1914, só em Outubro de 1926 foi promovido a General.

Representante de Portugal nas grandes manobras em França de 1907, fez parte da embaixada extraordinária enviada a Espanha em 1912, quando da comemoração do centenário das cortes de 1812. 

Professor da cadeira de Táctica do Estado-Maior, foi sucessivamente sub-chefe do Estado Maior do Exército, comandante-geral da Guarda Nacional Republicana, comandante de 1.ª Divisão Militar, de Lisboa, e Presidente da Comissão de História Militar.

Autor de história militar, começou a sua carreira de escritor com um artigo sobre "As Instituições militares no estrangeiro", publicado na Revista Militar em 1896. Mais tarde, seguiram-se, a partir de 1914 e até 1930, dezenas de artigos sobretudo de história, mas também sobre vários aspectos da profissão das armas.

Sendo membro do Partido Evolucionista de António José de Almeida, a sua obra historiográfica é muito influenciada pela visão republicana da história das instituições portuguesas, estando muito dependente da visão panfletária transmitida por Latino Coelho, outro historiador militar republicano trabalhando durante a monarquia. No fim da vida a suas preocupações viraram-se para a História militar medieval. Os seus últimos escritos foram publicados na Edição Monumental da História de Portugal de Barcelos.

Escreveu:
Invasões Francesas, 3 vols., 1903, 1907 e 1910;
Batalha do Buçaco, 1.ª Edição, 1910; 3.ª Edição, 1930;
Batalha de Ouguela e Montijo, 1912;
Batalha de Montes Claros, 1912;
Évora e Ameixial, 1913;
Fundação da Monarquia Portuguesa - Batalha de Ourique, 1927
Ossóroba, Antiga Cidade do Algarve durante o domínio Árabe, 1931;
Ainda a Batalha de Ourique, 1934;
Batalha das Linhas de Elvas, 1935.


Fonte:
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, vol. 6.º

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Biografia de Agostinho Luís da Fonseca

n: Viseu, c. 1751
m: depois de 1831

Entrou ao serviço no Regimento de Infantaria de Almeida em1765 com 14 anos, tendo sido reconhecido Cadete. Transferiu-se para as Milícias de Viseu (corpos conhecidos, até 1796, pelo nome de Terço Auxiliar) tendo ido ocupar a função de Ajudante, que implicava a patente de Tenente. Em 1779, já Ajudante no Regimento de Infantaria de Almeida, tendo virado costas, depois de lhe chamar doido, a um Tenente que lhe tinha mostrado um erro na escala de serviço, foi a conselho de guerra e preso por um curto espaço de tempo. Em 1792, já Major, pediu novamente transferência de Regimento, agora para o  de Infantaria de Chaves.
Coronel do Regimento em 1799, participa na Guerra de 1801, tendo comandado o seu regimento na malograda incursão na Galiza, comandada pelo general Gomes Freire de Andrade, que de acordo com ordens do marquês de La Rosière, tinha intenção de informar-se da possibilidade de uma acção ofensiva portuguesa pelo lado da Veiga de Chaves. A incursão correu mal, e Agostinho Luís da Fonseca foi considerado incapaz por Gomes Freire. Não foi o único, os dois generais comandantes da Divisão de Trás-os-Montes, de que Gomes Freire comandava um destacamento, foram também acusados, sendo estes apelidados de cobardes. 

Como é natural não fará parte do novo Exército  português criado por Junot, o marquês de Alorna e Gomes Freire em 1808, e que partiu para França em Abril desse ano. Com a revolta que provocou a Restauração da Casa de Bragança em Portugal, organizará o seu regimento e dirigiu-o para o Porto e Coimbra sendo o mais forte regimento do «Exército de Operações» de Bernardim Freire de Andrade. Não acompanhou o exército na sua deslocação para Sul, ficando em Coimbra como Governador, sendo coadjuvado pelo Major Franzini, sub-chefe do Estado-Maior do Exército comandado pelo marquês de Alorna, que tinha abandonado a futura Legião Portuguesa em Salamanca e regressado a Portugal.

Em 1809, defendeu com Silveira a Ponte de Amarante contra as investidas de Loison. Em 1810 comanda a Brigada formada por  Infantaria 2 e 14 e que ficará conhecida pela designação de «Brigada do Algarve», estando presente na Batalha do Buçaco. Em 1811 dirige a mesma Brigada na Batalha de Albuera e no primeiro cerco de Badajoz.

Em 1812, já com 60 anos, é recomendado por Beresford para o governo militar da Cidade de Aveiro, devido à sua idade avançada e aos bons serviços em campanha. Era também sub-inspector das Milícias da Beira e Trás-os-Montes, e por isso adjunto de D. Miguel Pereira Forjaz, que ainda exercia o cargo de Inspector geral das Milícias. Em 1816 será nomeado, por Carta Régia, Inspector geral interino, que ocupa até 1820 data em que devido ao Pronunciamento do Porto as Milícias são extintas. Voltará a ser nomeado para a inspecção em 1823 após a Vila Francada, por um curto espaço de tempo. Em 1828 ocupava o cargo de Governador das Armas da Beira Alta, tendo prendido os estudantes que mataram os professores da Universidade de Coimbra, que se dirigiam a Lisboa para saudar o regresso de D. Miguel a Portugal. Em 19 de Maio desse mesmo ano teve de abandonar a província e dirigir-se para Trás-os-Montes devido ao pronunciamento, em defesa da Carta Constitucional e da rainha D. Maria II, dos batalhões de Caçadores 7 e 9. Foi exonerado do governo das armas da província em fins desse mesmo ano retomando o seu cargo de Inspector das Milícias. Em Novembro de 1831 foi nomeado Conselheiro de Guerra, a forma tradicional em Portugal de pagar os longos serviços militares. Nesse ano, o tenente general Fonseca teria feito 80 anos.

Biografia retirada daqui

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Biografia de Marino Miguel Franzini

Filho do professor veneziano Miguel Franzini, professor dos príncipes D. José e D. João, filhos da rainha D. Maria I, assim como de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, seguiu inicialmente a carreira da Marinha, donde passou para o exército, como oficial engenheiro, com o encargo de participar no levantamento da Carta topográfica do país.
Em 1807, quando o exército português foi reduzido por Junot, estava em serviço no Arquivo Militar. Foi nomeado Subchefe do Estado-maior do exército formado pelo marquês de Alorna, para ir servir com os exércitos napoleónicos, mas "desertou" em Espanha, regressando a Portugal. 

Voltou ao Arquivo Militar, tendo chegado a subdirector, onde, mais tarde criou, com a ajuda do Principal Sousa, irmão de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, e membro da Regência, o Gabinete de Estatística. 

Em 1812 tinha publicado uma carta marítima da costa portuguesa, ano em que entrou para a Academia das Ciências de Lisboa como sócio correspondente, e em 1815 publicou umas Instruções estatísticas que por ordem do Excelentíssimo e Reverendíssimo senhor o Principal Sousa compilou .... Foi com base nos seus estudos que a Regência se opôs ao regulamento de 1816 decretado por influência de Beresford, tendo mesmo escrito a pedido daqueles umas Reflexões sobre o Regulamento do Exército de Portugal,  obra que só foi impressa em 1820.

Em 1818, fora nomeado Inspector da Real Fábrica da Cordoaria, cargo que ocupou até ao dia 25 de Abril de 1855, com um pequeno interregno de dois anos, e que acumulou com o de Presidente da Comissão de Estatística e Cadastro do Reino, que organizou o recenseamento de 1820, apresentado às Cortes em 1822, e publicado no Almanach Portuguez de 1826. Franzini ficou à cabeça desta comissão até 1846.

Aderiu ao Vintismo, tendo sido eleito deputado às Cortes Constituintes pela Estremadura, e depois às Cortes Legislativas, em 1822, por Tomar. Voltou às Cortes em 1837, para as Cortes Constituintes que redigiram a Constituição de 1838, eleito por Viana do Castelo. Mais tarde, ocupará por espaços muito curtos o posto de Ministro da Fazenda; por 4 meses em 1847 e por 3 meses em 1851.

Terminou a sua carreira com o posto de brigadeiro da Brigada Real de Marinha e vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar, órgão que em 1836 substituiu o Conselho de Guerra, para o qual foi nomeado em 1855. Em Março de 1861 foi condecorado com a grã-cruz da Ordem de Cristo e em Abril foi feito Par do Reino.

Fonte:
Maria de Fátima Nunes, 
O Liberalismo Português: Ideários e Ciências. 
O universo de Marino Miguel Franzini (1800-1860), 
Lisboa, INIC, 1988

Biografia retirada daqui

A História de Portugal - Parte 2

A História de Portugal - Parte 1

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Biografia de Marino Miguel Franzini

n.      21 de janeiro de 1779.
f.       29 de novembro de 1861.

Do conselho de D. João VI, grã-cruz e comendador da Ordem de Cristo; brigadeiro da extinta Brigada Real de Marinha; encarregado, e depois director do Arquivo Militar, presidente da Comissão da Estatística e Cadastro do Reino; inspector da Cordoaria Nacional, deputado, par do reino, ministro de Estado, vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, etc. Nasceu em Lisboa a 21 de janeiro de 1779, onde também faleceu a 29 de novembro de 1861. Era filho do professor de Matemática da Universidade de Coimbra, Miguel Franzini (V. o artigo seguinte). 

Seguindo a carreira da marinha levantou durante os cruzeiros cartas hidrográficas, excelentes na opinião dos entendidos, e fez importantes observações. Passou depois ao exército, e quando este foi dissolvido pelo general francês Junot, pouco depois da sua entrada em Portugal, Franzini tinha o posto de major de engenheiros, e era empregado no Arquivo Militar. Junot, organizando a Legião Portuguesa, nomeou-o oficial do estado-maior, conservando a patente de major. A Legião teve ordem de partir para França, e Franzini acompanhou-a, mas conseguiu não chegar a atravessar os, Pirenéus. Depois de tomar parte na defesa de Saragoça, regressou a Portugal, e novamente entrou no serviço da marinha de guerra. Em 1813 publicou uma carta marítima da costa de Portugal, acompanhada dum roteiro circunstanciado, e em 1815 mandou imprimir umas Instruções estatísticas, que em 1814 compilara por ordem do principal Sousa. Em 1816 começou em Lisboa a fazer observações meteorológicas, que foram as primeiras que se fizeram em Portugal, e prosseguindo com dedicação esse trabalho, apresentou à Academia das Ciências os resultados que obtivera, e que a Academia mandou publicar na colecção das suas Memórias. 

Quando em 1820 se tratou de estabelecer o sistema liberal, Franzini trabalhou activamente para que essas ideias triunfassem e sendo eleito deputado ás Cortes constituintes de 1821, publicou umas Reflexões sobre a organização do exército estabelecida em 1816, que dizem ser muito interessantes e dignas de apreço pelos mapas estatísticos que as acompanham. Nomeado inspector da Cordoaria, publicou a conta da receita e despesa desse estabelecimento e dos outros que lhe estavam anexos em 1820; nesse livro compreende também memórias de grande utilidade para a história do estabelecimento. As sessões das Cortes ordinárias de 1822 assistiu igualmente como deputado. Dedicando-se ao estudo das circunstancias financeiras do país, publicou um Ensaio sobre o orçamento da divida publica, receita e despesa do tesouro no ano de 1826. Depois de 1834 ainda foi eleito deputado em varias legislaturas. Em 22 de agosto de 1847 entrou no ministério, encarregando-se da pasta da fazenda, a qual conservou até 18 de dezembro do mesmo anuo. Voltou aos conselhos da Coroa, sendo ministro interino da justiça e fazenda em 1 de maio de 1851, e deixando a pasta da justiça no seguinte dia 22, foi nomeado ministro efectivo da fazenda, cargo em que permaneceu até ao dia 5 de agosto. Apesar dos seus trabalhos parlamentares e do governo, não deixou nunca de se entregar ás suas observações meteorológicas, apresentando à Academia os resultados dessas observações que têm grande valor, porque sobre esse importante assunto nada mais existe em Portugal até à organização do observatório do Infante D. Luís na Escola Politécnica. Ainda em 1856 e 1857 Franzini compôs uns mapas do movimento mesologico de Lisboa, que também são valiosos por se referirem à época em que a capital foi devastada pelas terríveis epidemias da cólera-morbo e da febre-amarela. Em 17 de maio de 1861 foi eleito par do Reino, mas pouco sobreviveu a esta distinção.

Carta marítima da costa de Portugal, composta de três folhas em papel de grande formato, gravadas em Londres por Arowsmith; à qual se ajunta um «Roteiro circunstanciado», que não só descreve a costa com exacção, mas analisa o trabalho da mesma carta, Lisboa, 1813; Instruções estatísticas, compiladas em 1814 por ordem do ex.mo e rev.mo sr. Principal Sousa, Lisboa, 1815; Reflexões sobre o actual regulamento do exercito de Portugal, publicado em 1816; ou análise dos artigos essencialmente defeituosos e nocivos à nação; com o projecto de um plano de organização para o mesmo exercito, ilustrado com mapas da povoação do reino etc., Lisboa, 1820; tem no fim um mapa desdobrável da população; Observações meteorológicas, feitas na cidade. de Lisboa caos asnos de 1816 e 1817, acompanhadas de varias reflexões sobre o estado e aplicação da meteorologia, oferecidas à Academia Real das Ciências, Lisboa, 1818; com 3 estampas; saíram também no tomo V, parte II, da Historia e Memórias da Academia, pág. 91 a 125; Relação da viagem aerostática, feita em Lisboa no dia 14 de março de 1819 por Eugénio Robertson, e dirigida por seu pai Estevão Gaspar Robertson, etc., oferecida à Academia Real das Ciências, Lisboa, 1819; traz o retrato do aeronauta, gravado a buril; Conta da receita e despesa da Cordoaria nacional e real de Lisboa, e dos anexos estabelecimentos de beneficência e reclusão, pertencente ao ano de 1820, Lisboa, 1821; Ensaio sobre o orçamento da divida publica, receita e despesa do Tesouro do reino de Portugal no ano de 1826, e reflexões sobre o déficit e a divida existente, comparada à de outras nações, etc., Lisboa, 1817; Considerações acerca da renda total da nação portuguesa, e ma distribuição por classes, etc., Lisboa, 1813; tinha já sido publicado na Revista Universal Lisbonense; Reflexões acerca dos prejuízos que resultariam ao tesouro, e a seus credores, alterando-se as disposições do decreto de 9 de dezembro de 1847, que fixou o valor das notas do Banco de Lisboa, etc., Lisboa, 1818; Artigo extraído da «Revista Universal Lisbonense», com prévia autorização do seu autor, Lisboa, 1849; é uma carta de Franzini e a reprodução de um antigo que está publicara no Diário do Governo, n.º 7, 1849, acerca da Memória apresentada à Academia Real das Ciências pelo engenheiro Bonnet, sobre explorações científicas feitas no Algarve; Noticia acerca dos trabalhos da Comissão geológica dirigida por mr. Charles Bonnet, nas suas explorações à província do Alentejo em 1849, Lisboa, 1850; também está publicada na Revista Universal, de 21 de fevereiro de 1850, e no Diário do Governo n.º 51, do mesmo ano ; Breves reflexões sobre o folheto do sr. Filipe Folque, que tem por titulo «Trabalhos geodésicos e topográficos do Reino», Lisboa, 1850; Noticias estatísticas sobre a extensão e população de Portugal, e ilhas do Oceano Atlântico; saíram no Almanaque de Lisboa para 1826, pág. 1 a 23 ; Mapa geral da primeira serie de observações feitas em Lisboa, acerca das chuvas que caíram desde o ano de 1816 até julho de 1826; Segunda serie de observações, que começam em março de 1835 e findam em 1855; saíram estes mapas, precedidos de várias considerações sobre o assunto, no Diário do Governo n.º 59, de 11 de Março de 1859 ; Mapa do movimento necrológico de Lisboa e Belém, compreendendo o número de cadáveres sepultados nos três cemitérios, S. João, Prazeres e Ajuda, no ano de 1857; seguido de explicações, notas e observações correlativas; saiu no Diário do Governo, n.º 44, de 22 de Fevereiro de 1858; Observações meteorológicas feitas em Lisboa desde 1822 em diante. Muitas destas observações andam insertas em vários jornais científicos e literários; as concernentes ao ano de 1835 estão no Jornal da Sociedade das Ciências Medicas de Lisboa, a contar do tomo I; as de 1842 na Revista Universal Lisbonense, tomo II; as de Dezembro de 1847 a Julho de 1849, no dito jornal, tomo I da 2.ª série, 1818-1849, começando a pág. 145 por umas Considerações acerca do clima de Lisboa; continuadas no tomo II, 1849-1850. as de Agosto de 1849 a Junho de 1850, etc. Nos Fastos, de Ovídio, tradução de António Feliciano de Castilho, tem uma nota, intitulada A meteorologia e o seu porvir, no tomo III, pág. 578. Escreveu mais: Roteiro das costas de Portugal ou instruções náuticas para inteligência e uso da carta reduzida da mesma costa e dos planos particulares doa seus principais portos; Lisboa, 1812.

Biografia de Marino MiguelFranzini
O Exército português em finais do Antigo Regime

Biografia retirada daqui


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Biografia de Agostinho José Freire

n.      28 de agosto de 1780.
f.       4 de novembro de 1836.

Bacharel formado em matemática pela Universidade de Coimbra; ministro e conselheiro de Estado, deputado, par do Reino, major do exército, etc. Nasceu em Évora a 28 de Agosto de 1780; faleceu em Lisboa a 4 de novembro de 1836.

Ainda muito criança veio para Leiria com seu pai, que tinha igual nome, e ali frequentou os primeiros estudos; seguiu depois para Lisboa a estudar humanidades, passando mais tarde a Coimbra, onde cursou a faculdade de Matemática, tomando o grau de bacharel em 1807 ou 1809. Terminados os estudos recolheu-se a casa de seu pai, situada no lugar de Vidais, do distrito de Leiria, mas o vivo desejo de combater pela independência da pátria contra os franceses, o obrigou a alistar-se no regimento de Infantaria n.º 10, a 16 de outubro de 1809, sendo logo promovido a alferes. 

Com este posto tomou parte nalgumas batalhas da Guerra Peninsular, conquistando pela sua bravura a promoção a tenente em junho de 1811. Regressando a Portugal depois de ter assistido ás batalhas de Albuera, Vitoria e Pirenéus, foi promovido a capitão em 1815. Tendo terminado a campanha peninsular, matriculou-se na Academia de Fortificação, onde estudou dois anos, não chegando a concluir o curso, por haver sido nomeado assistente do quartel-mestre general do exército. Em Dezembro de 1820 foi nomeado major, e eleito deputado ás Cortes constituintes pela província da Estremadura. Na sessão preparatória de 24 de janeiro de 1821, foi eleito por cinquenta votos para a comissão, que devia examinar os diplomas dos cinco deputados incumbidos de verificar os poderes e títulos dos outros membros da assembleia; logo nessa primeira reunião manifestou os seus sentimentos liberais, propondo com muito entusiasmo, patriotismo e grande dedicação pela liberdade, que fosse qual fosse a formula do juramento, se lhe acrescentassem as seguintes palavras: «...que nem perigo, nem violência, nem poder algum impediriam que se desse à nação a liberdade que ela reclama, e lhe foi solenemente prometida». Tomou parte muito ativa em todos os trabalhos daquelas cortes, ocupando seguidamente os lugares de secretário, de vice-presidente e de presidente; e não obstante a situação especial em que o colocou a escolha que dele fizera a assembleia, muitas vezes ergueu a sua voz em defesa de princípios, e de ideias de incontestável alcance para a prosperidade da pátria, a que dedicadamente se devota ra. Nem a forma estranha e inexplicável como fora esquecida a sua patriótica proposta acerca do juramento, na primeira sessão preparatória, lhe fez esmorecer o ânimo no desempenho da missão que tinha recebido dos eleitores da província da Estremadura. Apesar de aprovado pelo congresso o referido aditamento, a comissão incumbida de redigir a fórmula do juramento, pusera de parte a proposta de Agostinho José Freire, que sofreu por isso a primeira decepção na sua vida parlamentar. Na sessão de 7 de fevereiro de 1821 propôs a maneira de serem remunerados e honrosamente despedidos do serviço de Portugal, os oficiais ingleses. A 15 do mesmo mês defendeu com energia, num eloquente discurso, a liberdade da imprensa. Foram numerosas as leis e disposições em que Agostinho José Freire colaborou, sendo membro das memoráveis cortes de 1821, não deixando de comparecer a todas as sessões, e tomando parte distinta nos debates. Para as cortes de 1822 foi reeleito por Leiria e Lisboa, continuando na câmara a sua gloriosa carreira parlamentar. 

Em consequência dos acontecimentos políticos, que ficaram conhecidos pelo nome de Vilafrancada, viu-se obrigado a embarcar a 15 de junho de 1822 com destino a Jersey, donde passou a Paris, percorrendo depois algumas províncias de França, Alemanha, Suíça e Inglaterra. Voltou a Portugal em seguida ao juramento da Carta Constitucional e foi reintegrado no posto de major de engenheiros, corpo para que havia sido transferido em maio de 1821, sendo então mandado servir como ajudante de ordens e depois como chefe do estado-maior do marquês de Angeja. Servindo em toda a campanha contra o marquês de Chaves, voltou a Lisboa quando faleceu o general com quem servia, e foi então encarregado de organizar um plano de defesa do sul do Tejo, sendo ao mesmo tempo nomeado para tomar parte na junta incumbida de formular a ordenança de infantaria. Apenas o infante D. Miguel desembarcou em terra portuguesa, o valente militar da guerra da península saiu do reino, e foi reunir-se a D. Pedro IV em Belle-Isle, partindo dali com o imperador para os Açores, e ao desembarcar em Angra do Heroísmo, logo D. Pedro o nomeou ministro da Guerra e interino da Marinha. Depois de haver prestado serviços importantíssimos para a organização do exército liberal e para os aprestos da esquadra que o devia transportar ao reino, acompanhou a expedição que veio desembarcar nas praias do Mindelo; o político tornou a ser soldado, distinguindo-se em várias acções nas linhas do Porto, especialmente no dia 29 de setembro de 1832. 

Durante toda a luta continuou no cargo de ministro da Guerra, trabalhando activamente em prestar elementos de defesa para a causa da rainha D. Maria II, e ainda depois de terminada a guerra civil, foi em 27 de março de 1834 encarregado de ir ao quartel general tomar as disposições convenientes para a pacificação geral do Reino, e evitar os sérios acontecimentos que alguns mais exaltados queriam realizar. Em 24 de julho desse ano foi nomeado conselheiro de Estado, e sendo eleito deputado pelas províncias da Estremadura e do Minho, apresentou nas cortes, como ministro, um desenvolvido relatório, que constitui um documento valioso e muito interessante para a história da guerra civil. Tem por título: Relatório do ministério dos negócios da Guerra, Lisboa, 1834 com 16 mapas, É da administração desde 3 de março de 1832 nas ilhas dos Açores, até 4 de setembro de 1834. Em 24 de setembro deixou a pasta da guerra para se encarregar da marinha, e em 15 de fevereiro de 1835 passou para o ministério do Reino, conservando-se neste lugar até 27 de maio em que o gabinete foi demitido. 

Além dos serviços distintos que prestou no ministério da marinha, desenvolvendo a mesma actividade que manifestara no da guerra, adoptou como ministro do reino medidas dignas de menção. Elaborou as instruções para a organização dos estatutos da Academia das Belas Artes, criou o conselho de Beneficência, introduziu melhoramentos na Biblioteca Pública, na Casa Pia, etc. Quando se demitiu o ministério, foi recolher-se no Real Colégio Militar, do qual fora nomeado director em 15 de fevereiro de 1834. Também procedeu a grandes melhoramentos neste estabelecimento de educação militar. Sendo elevado ao pariato, tornou novamente a encarregar-se da pasta do reino em 20 de abril de 1836. A revolução de setembro desse ano obrigou-o a pedir a demissão e a adotar o propósito de se recolher à vida particular, abandonando completamente a política, mas na manhã de 4 de novembro do referido ano de 1836, a rainha o mandou chamar ao paço de Belém, e quando para ali se dirigia, alguns soldados da Guarda Nacional postados na calçada da PampuIha, o assassinaram. Assim terminou a existência, vítima da revolução que se denominou Belenzada, um dos homens mais notáveis nas campanhas da liberdade, um estadista que tantos serviços prestara.

Biografia retirada daqui


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