sábado, 21 de outubro de 2017

Biografia de Hugh Owen

Nasceu em 27 de Maio de 1784, no País de Gales; 
morreu em Dezembro de 1860

Começou a carreira militar como capitão de voluntários em Thropshire, em 1803, quando do grande movimento patriótico para a defesa da Grã-Bretanha da prevista tentativa de invasão pelos exércitos franceses de Napoleão Bonaparte, com o fim da Paz trazida à Europa pelo Tratado de Amiens.

É em 1809 que ingressa no exército no regimento n.º 16 de dragões ligeiros, embarcando imediatamente para Portugal, com os reforços que seguem com Wellington, para defesa do país contra Soult.  Serve com os atiradores do regimento nos combates de Albergaria, Grijó e na perseguição do exército francês do Porto até Salamonde.

Na batalha de Talavera comanda o corpo de atiradores da brigada de cavalaria ligeira, composta dos regimentos de dragões ligeiros nos. 14, 16 e 23 e do regimento de hussardos da King's German Legion.

No ano seguinte o marechal Beresford promove-o a capitão, servindo de ajudante-de-campo do general Fane, comandante da retaguarda da divisão Hill, quando da retirada para as Linhas de Torres Vedras. Mais tarde passa para a brigada de cavalaria de sir Loftus Otway, que comandava a brigada de cavalaria portuguea formada pelos regimentos 1, 4, 7 e 10. Continuando a servir nos estados-maiores passa, como major de brigada e ajudante-de-campo, para a brigada de cavalaria portuguesa do general d'Urban, formado pelos regimentos n.º 1, n.º 11 e n.º 12.

Na batalha de Vitória foi ele quem comandou a brigada na célebre carga de cavalaria que acabou com a resistência francesa, sendo promovido no campo de batalha por Wellington.

No exército português, após o fim da guerra, foi promovido a tenente coronel do regimento de cavalaria n.º 6 de Chaves. Em 1820 é coronel e acompanha na viagem de Beresford ao Brasil, regressando mais cedo que o comandante-chefe, trazendo despachos para a Regência, sendo transferido para o comando do regimento de cavalaria n.º 4. 

Chega a Portugal já com a revolução de 1820 em pleno curso. Tendo sido despedido, como Beresford e todos os outros oficiais britânicos, retira-se do exército e casa com Maria Rita da Rocha Pinto Velho da Silva, viúva, filha de um grande negociante de vinhos do Porto, em 20 de Dezembro de 1820. Teve quatro filhos, entre eles a célebre Fanny Owen, celebrisada por Camilo Castelo Branco e Agustina Bessa Luís.

Vivia no Porto quando, em 1832, o exército liberal  vindo dos Açores, e desembarcado na praia do Mindelo, ocupou a cidade. D. Pedro chamou-o para comandante da cavalaria, mas Owen, por ser cidadão britânico recusou, de acordo com as ordens dadas pelo seu governo, mas colaborou com o regente durante o cerco da cidade.

Em 1856 regressou à Grã-Bretanha, abandonando mulher e filhos.

Fonte:
Hugh Owen,
O Cerco do Porto contado por uma Testemunha - O Coronel Owen,
Porto, Renascença Portuguesa («Biblioteca Histórica, I»), 1915

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Biografia de Claude Prost

n: 5 de Fevereiro de 1764, Auxonne (França)
m: 4 de Julho de 1834, em Belleville [Paris] (França)

Soldado no Regimento de Artilharia de Estrasburgo em 1780, era cabo na artilharia a cavalo no princípio de 1792, sendo tenente um ano mais tarde estando em serviço no Exército do Norte. Combate no Reno assinalando-se na batalha de Altenkirchen, em 19 de Setembro de 1796, combatendo também em Mosskirch em 5 de Maio de 1800.
Coronel do 1.º Regimento de Artilharia a cavalo em 1805, é nomeado chefe do estado-maior da artilharia do 1.º corpo de observação da Gironda em 1807. Quando regressa a França, em 1808, é colocado no Exército da Catalunha, onde está em 1809. É feito Barão do Império em 1810 e general de Brigada no ano seguinte. Ficou surdo durante o cerco da fortaleza de Figueras, em 1811, sendo reformado em 1813.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

História desconhecida de Portugal: quando o país teve 3 Reis em apenas 1 dia

História desconhecida de Portugal: quando o país teve 3 Reis em apenas 1 dia



Pode parecer estranho, mas é verdade. Ou melhor: uma semi-verdade que apenas não é uma verdade total por causa da burocracia: no dia 1 de Fevereiro de 1908, Portugal teve 3 Reis em apenas 1 dia. E como isto aconteceu? Nesse dia ocorreu o Regicídio do Rei D. Carlos I. Para perceber como deste pormenor resultaram 3 Reis em apenas 1 dia, vale a pena ler a relato do que se passou durante o assassinato do Rei.


O Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, ocorrido na Praça do Comércio (na época mais conhecida por Terreiro do Paço) em Lisboa, marcou profundamente a História de Portugal, uma vez que dele resultou a morte do rei D. Carlos e do seu filho e herdeiro, o Príncipe Real D. Luís Filipe de Bragança, marcando o fim da última tentativa séria de reforma da Monarquia Constitucional e, consequentemente, uma nova escalada de violência na vida pública do país. Após o regicídio subiu ao trono D. Manuel II, filho mais novo de D. Carlos, com apenas 18 anos de idade.


O atentado foi uma consequência do clima de crescente tensão que perturbava o cenário político português. Dois factores foram primordiais: em primeiro lugar o caminho desde cedo traçado pelo Partido Republicano Português como solução para a erosão do sistema partidário vigente e, em segundo lugar, a tentativa por parte do rei D. Carlos, como árbitro do sistema político, de solucionar os problemas desse mesmo sistema, apoiando o Partido Regenerador Liberal de João Franco que, viria a instaurar uma ditadura. Desde a sua fundação que o objectivo primário do Partido Republicano Português era o da substituição do regime. Esta atitude teve a sua quota de responsabilidade no despoletar deste acontecimento mas, os ânimos foram definitivamente acirrados pelo estabelecimento de uma ditadura por parte de João Franco, com o total apoio do rei e respectiva suspensão da Carta Constitucional, em 1907.

O Rei, a Rainha e o Príncipe Real encontravam-se então em Vila Viçosa, no Alentejo, onde costumavam passar uma temporada de caça no inverno. O infante D. Manuel havia regressado dias antes, por causa dos seus estudos como aspirante na marinha. Os acontecimentos acima descritos levaram D. Carlos a antecipar o regresso a Lisboa, tomando o comboio, na estação de Vila Viçosa, na manhã do dia 1 de Fevereiro. Com cuidado para que a sua já preocupada mãe não se aperceba, o Príncipe real arma-se com o seu revólver de oficial do exército. Durante o caminho o comboio sofre um ligeiro descarrilamento junto ao nó ferroviário de Casa Branca. Isto provocou um atraso de quase uma hora. A comitiva régia chegou ao Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor “D. Luís”, com destino ao Terreiro do Paço, em Lisboa, onde desembarcaram, na Estação Fluvial Sul e Sueste, por volta das 5 horas da tarde, onde eram esperados por vários membros do governo, incluindo João Franco, além dos infantes D. Manuel e D. Afonso, o irmão do rei.


Apesar do clima de grande tensão, o monarca optou por seguir em carruagem aberta, envergando o uniforme de Generalíssimo, para demonstrar normalidade. A escolta resumia-se aos batedores protocolares e a um oficial a cavalo, Francisco Figueira Freire, ao lado da carruagem do rei.


Há pouca gente no Terreiro do Paço. Quando a carruagem circulava junto ao lado ocidental da praça ouve-se um tiro e desencadeia-se o tiroteio. Um homem de barbas, passada a carruagem, dirige-se para o meio da rua, leva à cara a carabina que tinha escondida sob a sua capa, põe o joelho no chão e faz pontaria. O tiro atravessou o pescoço do Rei, matando-o imediatamente. Começa a fuzilaria: outros atiradores, em diversos pontos da praça, atiram sobre a carruagem, que fica crivada de balas.


Os populares desatam a correr em pânico. O condutor, Bento Caparica, é atingido numa mão. Com uma precisão e um sangue frio mortais, o primeiro atirador, mais tarde identificado como Manuel Buíça, professor primário expulso do Exército, volta a disparar. O seu segundo tiro vara o ombro do rei, cujo corpo descai para a direita, ficando de costas para o lado esquerdo da carruagem. Aproveitando isto, surge a correr de debaixo das arcadas um segundo regicida, Alfredo Costa, empregado do comércio e editor de obras de escândalo, que pondo o pé sobre o estribo da carruagem, se ergue à altura dos passageiros e dispara sobre o rei já tombado.

A rainha, já de pé, fustiga-o com a única arma de que dispunha: um ramo de flores, gritando “Infames! Infames!” O criminoso volta-se para o príncipe D. Luís Filipe, que se levanta e saca do revólver do bolso do sobretudo, mas é atingido no peito. A bala, de pequeno calibre, não penetra o esterno (segundo outros relatos, atravessa-lhe um pulmão, mas não era uma ferida mortal) e o Príncipe, sem hesitar, aproveitando porventura a distracção fornecida pela actuação inesperada da rainha sua mãe, desfecha quatro tiros rápidos sobre o atacante, que tomba da carruagem. Mas ao levantar-se D. Luís Filipe fica na linha de tiro e o assassino da carabina atira a matar: uma bala de grosso calibre atinge-o na face esquerda, saindo pela nuca. D. Manuel vê o seu irmão já tombado e tenta estancar-lhe o sangue com um lenço, que logo fica ensopado.


A fuzilaria continua. Dª Amélia permanece de pé, gritando por ajuda. Buíça volta a fazer pontaria (sobre o infante? sobre a rainha?) mas é impedido de disparar sobre a carruagem pela intervenção de Henrique da Silva Valente, simples soldado de Infantaria 12, que passava no local, e que se lança sobre ele de mãos nuas. Na breve luta que se segue o soldado é atingido numa perna, mas a sua intervenção é providencial. Tendo voltado o seu cavalo, o oficial Francisco Figueira carrega primeiro sobre o Costa, que ferido pelo príncipe é atingido por um golpe de sabre e preso pela polícia, e de seguida dirige-se a Buíça. Este ainda o consegue atingir numa perna com a sua última bala e tenta fugir, mas Figueira alcança-o e imobiliza-o com uma estocada.




Ora… analisando a história, constata-se o seguinte: o primeiro Rei seria D. Carlos I. Como este foi assassinado, o 2º Rei passa a ser o seu filho mais velho, D. Luís Filipe, que foi assassinado minutos após o seu pai. Por fim, a coroa passa para o 3º Rei, filho mais novo de D. Carlos I, D. Manuel II. Apesar de ser este o relato fiel da história do Regicídio, não podemos, pelo menos oficialmente, contabilizar 2 Reis em apenas 1 dia. Isto porque, para que ocorra a aclamação de um Rei, é necessário toda uma formalidade e o cumprimento de requisitos legais que envolviam, por exemplo, o parlamento. No entanto, não deixa de ser um pormenor curioso da História de Portugal.

Informação retirada daqui

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Biografia de Marquês de la Rosière

n: em 10 de Outubro de 1735, em Pont d'Arche (França), 
m: em 7 de Abril de 1808, em Lisboa.

Alistou-se no exército francês em ... após ter concluído os seis anos de estudos na célebre escola real de engenharia de Mézières. Tendo estado nas Caraíbas e depois na Île de France (actual ilha Maurícia), trabalhou durante algum tempo para a Companhia francesa das Índias. No início da Guerra dos Sete Anos foi colocado no estado-maior do exército do marechal de Broglie. Com o fim da guerra, parece ter integrado o gabinete secreto de Luís XV, dirigido pelo conde de Broglie, irmão do marechal. Visitou a Inglaterra em 1763, segundo parece para preparar um estudo para um futuro desembarque francês na ilha. Mais tarde, em 1765, é-lhe dada a missão de inspeccionar toda a costa atlântica de França, de Dunquerque, no Canal da Mancha, até São João de Luz, no Golfo da Biscaia, e avaliar as forças marítimas do país. O seu relatório é bastante pessimista, já que, como escreve, se a velocidade de construção de navios é bastante boa, já o moral dos engenheiros, dos artífices e dos marinheiros é bastante mau, devido ao atraso de vários meses no pagamento de salários, sendo que a falta de dinheiro faz com que os armazéns estejam vazios. Em 1768 é-lhe dada nova missão de inspecção. A de apreciar a capacidade defensiva das costas e dos portos franceses face a um ataque britânico, e sugerir as obras necessárias. Rosière defenderá que o porto de Brest estava insuficientemente protegido, podendo ser atacado pela retaguarda das defesas. As suas opiniões incompatibilizam-no com o engenheiro Dajot, director das obras do porto. Só em 1776, com a nomeação de um novo governador militar da Bretanha, o marquês de Langeron, é que as sugestões de La Rozière começarão a ser postas em prática. Em 1780 recebeu o título de marquês, e em 1781 foi promovido ao posto de marechal de campo. Depois de ter dirigido na Bretanha alguns dos trabalhos de fortificação que tinha sugerido, realizados pela brigada que comandava, formada pelos regimentos de infantaria de Condé e Penthièvre.

Emigrou em 1791, o ano da «emigração militar», com o seu filho mais velho, tendo ido para Conblenz ao encontro dos príncipes, irmãos de Luís XVI. Foi encarregado dos arquivos militares, sob a direcção superior do marechal de Broglie, e fez a campanha de 1792 como quartel-mestre general. Chamado a Inglaterra em 1794, acompanhará no Verão de 1795 o conde de Artois, o futuro Carlos X, na viagem à ilhas de Yeu e Noirmoutiers, em apoio à expedição de Quiberon.

Em 1797, devido à preparação para uma possível guerra com a Espanha, aliada da França, é escolhido para chefe do estado-maior e comandante da Engenharia, com o título de Quartel-mestre General, sendo acompanhado por vários oficiais de engenharia emigrados, entre os quais o seu filho. Em 1801, devido à comprovação das suas aptidões militares por meio dos seus vários estudos sobre a defesa de Portugal, e aos seus conselhos - em 1798 defenderá que a expedição francesa organizada em Toulon se iria dirigir para o Egipto, o de facto aconteceu, como se sabe -, será nomeado comandante do Exército do Norte. Quando o conde de Goltz lhe retira todas as tropas de linha para as concentrar ao redor de Coimbra, considerando tal decisão um erro gravíssimo escreve a D. Rodrigo de Sousa Coutinho, o único secretário de estado em funções em Lisboa, pedindo a demissão. Goltz recua na decisão e reforça-o com vários regimentos.

Em 1802, será encarregado da Inspecção das Fronteiras Terrestres e Marítimas, continuando um trabalho que já lhe era habitual, fazendo um levantamento completo da situação defensiva de Portugal, redigindo muitos dos relatórios das inspecções.

Manteve-se em Portugal até à sua morte em 1808.

Escreveu várias obras sobre táctica e história militar e deixou muitas outras manuscritas, de que a maior parte, se não a totalidade, foram levadas para França:

M. Carlet de La Rozière, Des Stratagèmes de guerre dont se sont servis les plus grands capitaines du monde depuis plusieurs siècles jusqu'à la paix dernière..., Paris, C.-J.-B. Bauche, 1756
M. Carlet de La Rozière, Campagne de M. le maréchal de Créquy en Lorraine et en Alsace, en 1677, rédigée par M. Carlet de La Rozière ..., Paris1764;
M. Carlet de La Rozière, Campagne de Louis, prince de Condé, en Flandres, en 1674, ... , Paris, Merlin, 1765;
M. Carlet de La Rozière, Campagne du maréchal de Villars et de Maximilien-Emmanuel, électeur de Bavière, en Allemagne, en 1703, Paris, Merlin, 1766
 
Informação retirada daqui

domingo, 15 de outubro de 2017

Biografia de Thomas Saint-Clair

Nasceu por volta de 1786 na Escócia.

Entrou para o exército britânico em Junho de 1800, com o posto de Ensign. Em Agosto de 1803 era alferes e no ano seguinte tenente.

Em 30 de Setembro de 1807 foi promovido a capitão, tendo feito a campanha de Walcheren, em 1809, quando o exército britânico desembarcou nas costas holandesas, sob o comando do 2.º Lord Chatam, irmão mais velho do antigo primeiro-ministro britânico William Pitt, tentando apoiar a Áustria e as revoltas na Alemanha contra a França napoleónica. 

Tendo sobrevivido às doenças que praticamente destruíram o exército britânico nessa campanha, transferiu-se, em Junho de 1810, para o exército português com o posto de major, sendo agregado ao regimento de infantaria n.º 21, o antigo regimento de Valença, em Setembro desse mesmo ano. 

Participou na batalha do Buçaco, tendo comandado as companhias de granadeiros da brigada portuguesa do coronel Champalimaud, comportando-se «mui valerosamente» segundo este oficial. Nomeado major do 1.º batalhão, não assume a função porque fica em Coimbra durante a invasão de Massena. Regressado ao regimento em 1811 fez com ele as campanhas de 1811,1812 e 1813.

Em Agosto de 1813 é promovido a tenente-coronel sendo-lhe dado o comando do batalhão de caçadores n.º 5, que dirige até ao fim da guerra, merecendo elogios a sua conduta na batalha do Nive, já durante a invasão de França pelos exércitos aliados.

As campanhas da guerra na Península não o deixaram com grande saúde e, após ter gozado uma licença de um mês em 1815, estará de baixa, devido a uma inflamação nos olhos, durante mais de 3 anos, de 1 de Junho de 1816 a 1 de Agosto de 1819. Entretanto foi promovido a coronel é nomeado comandante do regimento de infantaria n.º 7, o antigo regimento de Setúbal. A revolução de 1820 expulsou-o do exército, assim como a todos os oficiais súbditos de Sua Majestade Britânica.

Desenhou as gravuras abertas por Charles Turner em 1815 e que retratam acções fundamentais da guerra na Península, com a consistência de alguém que participou activamente no conflito.

Fontes:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Arquivo Histórico Militar, Processos Individuais, caixa 2004

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Biografia de Friedrich Herman von Schomberg

n: 16 de Dezembro de 1615 em Heidelberg, Palatinado (Alemanha)
m: 1 de Julho de 1690, na Batalha do Boyne (Irlanda)

Schomberg é o paradigma do soldado mercenário do século XVII. Filho do Marechal do Palácio de Frederico V, Eleitor Palatino, e de Ana, filha do 5.º Lord Dudley, serviu no exército holandês de Frederico Henrique de Orange em 1633. No ano seguinte transferiu-se para o exército sueco comandado por Bernardo de Saxe-Weimar, e em 1635 foi  para o exército francês, tendo comprado uma companhia num regimento alemão. Em 1639, voltou ao exército holandês onde tinha adquirido o posto de coronel, tendo entretanto sucedido nas propriedades da família e casado. Em 1650 estava ao serviço do Cardeal Mazarino durante as guerras civis da Fronda em França, sendo-lhe dado o posto de Marechal de Campo em Outubro de 1652, sendo tenente general três anos mais tarde. Ao serviço do exército francês participou, com o Marechal Turenne, na Guerra contra a Espanha e o Príncipe de Condé.
Devido à assinatura em 1659 da Paz dos Pirinéus entre a França e a Espanha, veio para Portugal.

Em 24 de Agosto de 1660, assinou o contrato para servir como mestre-de-campo General do Alentejo, e comandante das tropas estrangeiras em Portugal, tendo chegado a Lisboa no dia 13 de Novembro seguinte. Tinha-se demorado devido a ter ido à Alemanha, para se despedir da mulher, e a Inglaterra para discutir o apoio militar a dar pela Inglaterra a Portugal, no seguimento das conversações que iriam dar à assinatura do tratado de paz e aliança entre Carlos II de Inglaterra e D. Afonso VI de Portugal, de 23 de Junho de 1661 . Esteve em Lisboa até Janeiro de 1661, após o qual se dirigiu para o Alentejo, em inspecção das praças de guerra da província.

Participou em todas as campanhas e batalhas importantes que se realizaram no Alentejo de 1661 a 1668, nunca exercendo de jure, o comando do exército no Alentejo, para o qual tinha sido contratado.

Segundo Hagner, traduzido do alemão pelo general Dumouriez, o seu contributo para o desenvolvimento da arte da guerra em Portugal, foi o ensinar o exército a acampar em formação de combate, o que fazia com que as saídas dos campos fossem muito mais rápidas. Introduziu também a organização regimental francesa, com efectivos mais reduzidos, o que levou ao desdobramento dos antigos terços criados logo a seguir à Restauração, que teve que ser posta em prática devido à compatibilização com a táctica utilizada pelas forças militares aliadas de Portugal, vindas de Inglaterra e França. E claro, ajudou a introduzir a moda francesa, com utilização da casaca em vez do gibão, à la Schomberg como ficou conhecida em Portugal.

Regressou a França em 1668 tendo-se naturalizado francês. Em 1673 foi enviado a Inglaterra para ajudar Carlos II a organizar um exército de invasão da Holanda, mas regressou rapidamente a França para aconselhar Luís XIV no cerco da cidade de Maastricht em Junho desse mesmo ano. Em 1675, devido à morte de Turenne tornou-se um dos oito Marechais de França, sendo já duque. Em 1685, devido à revocação do Édito de Nantes, que tinha dado a liberdade religiosa aos protestantes, teve de abandonar a França. Veio residir para Portugal, indo mais tarde servir Frederico Guilherme de Brandemburgo, o "Grande Eleitor."  Em 1688 foi emprestado, comandando um corpo de tropas "prussiano", a Guilherme de Orange e, em Novembro, foi nomeado 2.º comandante do exército que invadiu a Inglaterra, a pedido do Parlamento inglês, e destronou Jaime II. Naturalizado inglês em Agosto de 1689, foi-lhe dado o título de Duque de Schomberg entre outros, sendo nomeado Comandante-em-Chefe do Exército inglês que invadiu a Irlanda, que se tinha levantado em defesa de Jaime II. Morreu na célebre batalha do Boyne.

Fontes:
Général Dumuriez,
Campagnes du Maréchal de Schomberg,
depuis l'année 1662 jusqu'en 1668,
Londres, Cox, Fils et Baylis, 1807.

John Childs, 
«Marshal Schomberg. A Patriot for whom ?», 
History Today, volume 38, July 1988, pags. 46-52

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Biografia de Francisco Solano

Solano Ortiz de Rozas, Francisco Maria
Marquês do Socorro e de Solana
n: 10 de Dezembro de 1769 em Caracas (Nova Granada) [Venezuela] 
m: 29 de Maio de 1808 em Cádiz (Espanha)

Educado no Seminário dos Nobres de Madrid e na Casa dos Pajens, ingressou no exército nas Guardas Reais de Infantaria. Em 1793, sendo nomeado tenente coronel num regimento de reserva pediu um posto de campanha. Tendo entretanto casado com a marquesa de Solano adoptou o título. Na guerra contra a França, entre 1793 e 1795, participou no sector Catalão, chegando a marechal de campo, o primeiro posto do generalato naquela altura. Após a assinatura da paz entre a Espanha e a França serviu como voluntário no Exército francês do Reno, sob as ordens do general Moreau.
Em 1801 comandou a guarda avançada do Exército espanhol que invadiu Portugal sob o comando de Godoy. Tenente-general em 1802, foi nomeado Governador interino de Cádiz e Capitão General da Andalúzia em 1805, tendo-se distinguido no salvamento dos náufragos e na ajuda aos feridos provocados pela batalha de Trafalgar. Em 1807 comandou a Divisão que ocupou o Alentejo e Algarve em nome de Godoy, Príncipe dos Algarves de acordo com o artigo n.º 2 do tratado de Fontainebleau desse ano, tendo estabelecido o seu quartel-general em Setúbal. Regressou a Espanha, em Março de 1808, por ordem de Godoy para preparar ao que se pensa a retirada da família real espanhola para o México. Recebeu em Badajoz a ordem de aclamação do Rei José que acatou, sendo nomeado novamente capitão-general da Andalúzia por Murat.

A atitude do marquês do Socorro durante a revolta contra os franceses em Cádiz foi dúbia. Não querendo distribuir armas pela população revoltada, também não quis atacar a frota francesa fundeada na baía. Esta última decisão indignou a população que se dirigiu à sua residência oficial, perseguindo-o pelas ruas da cidade e acabando por o matar.

Informação retirada daqui

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Biografia de Francisco Taranco

n:  
m: 26 de Janeiro de 1808 no Porto (Portugal)

Em 1769 foi transferido para a Luisiana às ordens do conde O'Reilly, com o posto de cadete, regressando a Espanha no ano seguinte.
Em 1772 voltou à América, onde se manteve até 1783. Em 1793 era comandante do regimento de Soria, encarregado de apoiar as forças do general Ricardos no Rossilhão. Nessa campanha salientou-se na acção de Pla del Rey onde defendeu a sua posição contra forças quatro vezes superiores.

Em 1794, já brigadeiro, era o responsável pelo flanco direito da linha espanhola en Espolla (Gerona), tendo atacado o flanco esquerdo francês no campo de Cantallops com êxito. Participou na campanha do Alentejo em 1801, sendo promovido, em 1802, a tenente general e nomeado capitão-general da Galiza.

Em 1807 comandou as forças que invadiram o Entre Douro e Minho ocupando o Porto, em nome da antiga Rainha da Etrúria, e futura rainha da Lusitânia Setentrional, como previa o tratado de Fointainebleau de Outubro desse mesmo ano. Morreu no Porto em Janeiro de 1808.

Bibliografia:
Enciclopedia Universal Ilustrada Europeo-Americana, vol. LVII, Bilbao, Espasa-Calpe
Arquivo Histórico Militar, 1.ª Divisão, 14.ª Secção, Caixa 1, n.º 63, «Ofício de Gonçalo Pereira Caldas para o conde de Sampaio, conselheiro de governo, de 28 de Janeiro de 1808»

sábado, 7 de outubro de 2017

Biografia de Albert Taviel

Taviel, Albert-Louis-Valentin
Barão do Império francês
n: 17 de Junho de 1767, Saint-Omer (França)
m: 16 de Novembro de 1831, Paris (França)

Tendo estudado na Escola de Artilharia de Metz, é oficial em 1784, servindo na Córsega em 1793 e 1794, e posteriormente nos Exércitos franceses que combatem na fronteira Norte. Em 1798 é comandante da artilharia do Exército da Helvécia. Em 1801 é Director do parque de artilharia do Exército de Itália, e em 1803 do parque de Saint-Omer, sendo general de Brigada em 1805.
Em 1807 é nomeado Comandante da Artilharia do 1º Corpo de Observação da Gironda, regressando assim ao serviço de campanha. Regressado a França, é nomeado Inspector-Geral da Artilharia em 1810, e feito Barão do Império em 1811. Dirige o cerco à praça de Figueras com êxito, o que lhe vale o posto de general de Divisão em Julho desse ano. Transferido para a Alemanha em 1812, participa na campanha de 1813, estando presente nas batalhas de Lutzen, Bautzen e Leipzig. Durante os Cem Dias é governador de Belfort, só entregando a fortaleza após a abdicação de Napoleão Bonaparte. 

A Restauração nomeia-o novamente Inspector-Geral da Artilharia.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Biografia de Paul Thiébault

Thiébault, Paul-Charles-François
Barão do Império Francês
n: 14 de Dezembro de 1769 em Berlim (Prússia)
m: 14 de Outubro de 1846 em Paris (França)

Empregado na administração da dívida pública em 1792, Thiébault alistou-se no exército em Agosto desse ano e já era sargento em Novembro, mas foi demitido por motivos de saúde. Reapareceu em Fevereiro de 1793 com o posto de Alferes num Regimento de Infantaria de linha, sendo ajudante de campo do general Valence, comandante de um dos Exércitos da República, com o posto de capitão. Preso em Abril de 1793 acusado de cumplicidade com o general Dumouriez, que tinha desertado, foi libertado em fins de Maio. Em 1794 estava colocado no Exército do Interior e participou na repressão da insurreição realista de Vendimiário (Outubro de 1795) dirigida pelo general Bonaparte. Enviado para o Exército de Itália, onde exerceu as funções de chefe de estado-maior, foi nomeado general de Brigada por Masséna durante o cerco de Génova de 1800. Nesse ano publicou o livro Manuel des Adjudants-Généraux, sobre o serviço dos estados-maiores. Em 1805 comandou a brigada de vanguarda da divisão Saint-Hilaire, do 4º Corpo de Exército do marechal Soult, sendo ferido na batalha de Austerlitz.
Nomeado chefe do Estado Maior do Corpo de Observação da Gironda, é promovido a General de Divisão em 1808. Enviado para Espanha, após o abandono de Portugal, como todos os soldados e oficiais do antigo Corpo de Observação, é nomeado Barão do Império em 1811, regressando a França em 1812. Em 1810 publicou o Manuel Général du Service des Etats-Majors. Em 1813 e 1814 serve em Hamburgo, sob as ordens do marechal Davout. Apoia Napoleão Bonaparte durante os Cem-Dias, participando na defesa de Paris.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire,
Paris, Laffont, 1995

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